belogue

banalidades circunstanciais.. ou não!

dentro do meu mundo.

 

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Há dias assim. Minutos que passam, outros que teimam em ficar. Há momentos que me fazes rir, chorar, pensar-te, sentir-te, desejar-te. Todos são assim. Eu bem tento perpetuar o teu sabor, desenhar o teu cheiro no trajecto do meu olfacto. Ás vezes consigo… outras não. Não deixa de ser estranho que te sinta tão presente, no meu imaginário, claro, quando afinal estás sempre tão ausente. E no entanto, estás ali, bem ali. A sonhar, a sorrir, transmitindo-me uma enorme energia. Sempre me fizeste isto.. sempre me puxaste para cima para logo a seguir me arrastares para o fundo, e nesse fundo, aprendi a respirar, ainda que privado do meu seguro habitat. A lua está tão grande que aposto que se ouvirá bem longe se ela cair, e invariavelmente a lua lembra-me de ti: esplendorosa, magnânime na sua subtileza. És mesmo assim? Achas? Eu bem posso sorrir, porque afinal tu fazes-me sempre sorrir. Raramente decifras os significados dos meus sorrisos, mas todos são genuínos e exclusivos, como afinal tanto gostas. Hoje escrevi-te mais uns versos enquanto te revia no sossego do quarto, enquanto te via através do olhar com que mais ninguém te vê, mas que te importa?! Que diferença te faz, que te encontre depois de tudo o que já esqueci e te escreva neste incontrolável impulso? No entanto, escrevo-te sempre, mesmo enquanto outros te vão amando por aí! Hoje voltei-me outra vez para mim. Voltei para dentro, para o meu mundo. Divago, escrevo, ouço música como se fosses tu a falar comigo. Bebo álcool num copo e noutro, seguido de outros tantos. Fico suficientemente lúcido para chorar. Lúcido para saber o quanto te amo, o quanto me entreguei a ti e me deixo arrastar perante a tua cabeça. Lúcido para saber que não quero isto e lúcido para saber que provavelmente não me mereces, que sobeje pelo menos a minha auto-estima! Continuamos a perdermo-nos em coisas pequenas, em fantasias que apenas nascem, crescem e florescem nas nossas cabeças. Não damos espaço ao sentimento, à confiança. Continuamos a não dar a mão um ao outro e desgastarmo-nos com teorias acutilantes, que fazem definhar cada dia, cada minuto e cada hora todo este amor que sem mérito soubemos construir. Porquê? É isto que queres? Não acredito… ou não quero acreditar. Recuso-me a aceitar, mesmo sem alternativa… e no entanto canto, grito… grito o teu nome em silêncio, olho para as paredes em vão, em tua busca. Onde estás? Porque teimas em fugir de nós, do mundo que queremos construir como protecção de tudo e todos?

I think I’ve reached that point

where every wish has come true

and tired desguised oblivion

is everything I do.

msgd

7 Comentários »

  narigaoazul wrote @

« a água é tão fria…
como pode
a gaivota
adormecer?»

m. basho

  XIPITI wrote @

É só mesmo para dizer isto: :)

  Gisela wrote @

Bom texto!…Há textos “difíceis” de se comentar pela sua “Intransmissibilidade”, mas não resisti a dizer-te que a Lua nunca vai cair…está cheia do seu amor pelo Sol, que mesmo na distância, a vai “alimentado”…e o amor não é um peso é exactamente a ausência dele…o que a fará flutuar eternamente:)

  msgd wrote @

“Um vento glacial sopra
Os olhos dos gatos
pestanejam

As mãos no lume
… e na parede
a sombra de meu amigo

Separados pelas nuvens
Dois patos selvagens
dizem-se adeus”

  narigaoazul wrote @

há ocasiões em q o samurai deve usar o sabre e agir…
“Tsune ni ite, kyu ni awasu”.
The meaning of this is, whatever we may be doing or wherever we may be, we must always be prepared from any eventually.
boa sorte…

  P. wrote @

Boa tarde.

Sem dúvida um bom texto, muito pessoal, de algum forma introspectivo. Já só falta um texto da Insomnia para matar todas as saudades de vir aqui :) )

  Dentro do meu mundo « cultura pop wrote @

[...] lido no Belogue e apenas porque encontrei o blog em data posterior à da publicação dos posts. “Dentro do meu mundo” mereceu a minha especial atenção, em particular esta passagem “Hoje escrevi-te mais uns [...]


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