belogue

banalidades circunstanciais.. ou não!

Arquivo para Junho, 2008

adoptar uma criança estrangeira.

“Há cada vez mais portugueses a querer adoptar uma criança estrangeira de 2000 até 2007, o número quase sextuplicou e atingiu um total de 137 candidatos. O número de crianças estrangeiras adoptadas em Portugal ao longo dos últimos sete anos é de cinco dezenas, 12 das quais no ano passado. Em contrapartida, o número de candidatos residentes no estrangeiro que pretende adoptar crianças portuguesas tem vindo a diminuir de ano para ano, assim como as crianças portuguesas com propostas aceites por famílias oriundas de outros países. Tal como acontece com a adopção nacional, o desfasamento entre as características das crianças e o perfil pretendido pelos candidatos explicam a dificuldade em arranjar um lar para crianças institucionalizadas. Nos últimos sete anos, 50 crianças estrangeiras foram acolhidas em Portugal, apurou o JN junto da Direcção-Geral da Segurança Social, a entidade que centraliza todos os processos de adopção internacional (quer os de Portugal como país de origem das crianças quer os de acolhimento de menores estrangeiros). Só no ano passado, foram 12, enquanto em 2000 tinham sido apenas duas – o que é revelador desta tendência. De todas as crianças encaminhadas para a adopção internacional, há registo de apenas dois casos de insucesso, em que a idade – mais de dez anos – pode ajudar a explicar as dificuldades de integração num contexto familiar e social muito diverso da sua experiência de vida. A par do aumento do número de crianças estrangeiras adoptadas em Portugal, verifica-se uma abertura crescente dos candidatos portugueses a crianças de outras proveniências. Trinta e quatro famílias tinham, no ano passado, o processo concluído para adopção internacional. Tendência contrária verifica-se nas estatísticas de Portugal enquanto país de origem. Há menos candidatos a residentes no estrangeiro interessados em crianças portuguesas – eram 40 em 2000 e apenas dez no ano passado – e menos menores do nosso país em condições de serem acolhidos no estrangeiro. A adopção internacional é uma hipótese que apenas se coloca quando se esgotam as possibilidades de colocar a criança numa família portuguesa. Por essa razão, as crianças propostas para adopção internacional são, em regra, de idades mais avançadas e, muitas vezes, sofrem de problemas de saúde. Embora as famílias estrangeiras sejam mais receptivas a crianças mais velhas e portadoras de patologias, a verdade é que preferem claramente as que são saudáveis e com idades até aos dois anos ou, caso não seja possível, até aos quatro. Os candidatos fortemente motivados para a experiência da paternidade flexibilizam o perfil até idades mais avançadas e admitem aceitar dois ou três irmãos.

in JN de 21/05/2008″

… acho que está quase tudo dito. :|

msgd

Índia – capítulo terceiro, ou o da excitação da coisa.

O 3 tinha de ser (ainda mais) especial. Desculpem lá, mas tinha de ser.

Além de tudo o que já falámos, a Índia tem uma cultura que transpira sensualidade por todos os poros. Se assim não fosse, não seria certamente a terra que criou o 2º livro mais famoso do mundo, logo a seguir aos da Margarida Rebelo Pinto: o Kama Sutra.

À semelhança do que se passa com os mendhis, com a música, a roupa, os incensos, até com Bollywood e na generalidade com quase tudo o que vem daquelas paragens, o mundo ocidental tende a ver apenas o que lhe convém e distorce um pouco a intenção original, desvirtuando o sentido mais profundo das coisas provenientes de outras culturas.

O Kama Sutra é uma colectânea de textos indianos muito antigos cuja origem pode remontar ao século II, presumindo-se que o seu autor seja um tal de Mallanaga Vatsyayana. É considerado pela generalidade como o livro básico do amor. Porém, o que mais chama a atenção sobre este livro é apenas (e apenas) uma parte dele: a que se debruça sobre o comportamento sexual humano (whatelse…?).

Mas afinal do que fala o Kama Sutra ? Pois é. Há mais para além disso que toda a gente sabe (ou faz que sabe, ou gostaria de saber, ou sabe na teoria mas não na prática, ou sabe mesmo…). A maioria dos textos contidos no Kama Sutra pertencem a um grupo de textos denominado por Kama Shastra cuja primeira divulgação foi atribuída a Nandi, o touro sagrado que era o porteiro do deus Shiva e o seu mais fiel servo. Este boi, por ser à semelhança dos humanos, naturalmente cusco e ter uma pitada de voyeur, foi promovido a boi falante para poder divulgar, para bem da humanidade, o que via e ouvia o seu patrão Shiva fazer com a sua esposa, uma respeitável deusa chamada Parvati que de parva não tinha nada…

A versão original do Kama Sutra não tem ilustrações e é constituída por 36 capítulos, organizada em 7 partes que a seguir descrevo resumidamente (here comes the fun):

1- Introdução: índice com os conteúdos do livro, os três objectivos e prioridades na vida (Dharma – vida virtuosa; Artha – prosperidade material; e Kama – prazer estético e erótico), a aprendizagem, a conduta das pessoas bem educadas, reflexões sobre os intermediários que assistem o amante nas suas tarefas;

2 – Sobre a união sexual: descreve 64 tipos de actos sexuais em 10 capítulos sobre a estimulação do desejo, tipos de abraços, carícias e beijos, marcas com unhas, mordidelas e marcas com dentes, sobre a cópula (posições), palmadas (“Dói, um tapinha não dói…”), gemidos correspondentes, comportamento viril feminino (?! Mulheres machas?!), coito superior e sexo oral, preliminares e conclusões para os jogos amorosos;

3 – Sobre a aquisição de uma esposa: capítulos sobre as formas de casamento, técnicas de relaxamento para a amante, obtenção da amante, a manutenção e a união pelo casamento.

4 – Sobre a esposa: capítulos sobre a conduta da esposa única, a conduta da esposa-chefe e das outras esposas;

5 – Sobre as esposas de outras pessoas: capítulos sobre o comportamento de homens e mulheres, encontros para aprofundar o conhecimento interpessoal (vulgo actual: dating), examinação de sentimentos, os intervalos, o prazer do rei, o comportamento a ter nas instalações (entenda-se, quartos/casas) das mulheres;

6 – Sobre as cortesãs: capítulos de aconselhamento aos assistentes à escolha dos amantes, procura de um amor estável, maneiras de ganhar dinheiro, renovar amizade com um antigo amante, lucros ocasionais, lucros e perdas;

7 – Sobre os meios para atrair outros para si: capítulos sobre a melhoria das atracções físicas e do poder sexual enfraquecido.

Posto isto, desejo a todos uma boa leitura…

P.S.- Naked, quero ver se pões algum acrescento a este… ;)

Xipiti

Índia – capítulo segundo.

A India não é só caril e “Qué frô?. Uma das suas manifestações culturais world wide famous são os Mehndis – os misteriosos desenhos na pele – que são a nova tendência da moda no mundo inteiro, conquistando personalidades como Madonna, Demi Moore, Prince e Liv Tyler, entre muitos outros. Eles são feitos com hena, desaparecem depois de algumas semanas e parece que não apresentam nenhum risco à saúde, contrariamente às vulgares tatuagens. Além disso, depois de três semanas, é possível enfeitar-se de novo com outro modelo e a aplicação não dói. Eu fiz duas há uns anos atrás e gostei: uma na mão e outra no tornozelo. Por estar relacionado com o actual culto ao corpo e com a vaidade, e associado à satisfação de ser diferente e especial, não é nenhuma surpresa que o Mehndi tenha alcançado tanta popularidade.

Já que falamos em tatuagens, mistérios e popularidade, passemos ao assunto principal deste post. Quando resolvi falar-vos sobre a Índia, eis que tropecei verdadeiramente nele – o homem que procurava há 7 anos. Este Senhor. Sim, eu disse Senhor e com letra GRANDE. Este Senhor não anda a vender flores, nem tem uma loja num shopping a fazer concorrência aos chineses. Também não é artista de Bollywood. Nada disso. Este Senhor não tem nada a ver com flores, mas faz coisas igualmente bonitas. Não vende quinquilharias, mas sim preciosidades. Não canta e dança com fatiotas brilhantes, mas faz música. E que música, digo eu! Nasceu em 1970 em terras de Sua Majestade (a minha outra paixão… não a Rainha, mas a capital). Mais um do clube das coisas boas que se misturam. É verdadeiramente multifacetado porque tanto manuseia com mestria os pratos de djeing como toca a tabla (instrumento musical indiano) de modo impressionante. Já trabalhou com Madonna, Bjork, Ryuichy Sakamoto, entre outros. Nunca trabalhou comigo, é pena. Este Senhor tem o calor indiano a correr nas veias. Este Senhor tem o caril a temperá-lo. Este Senhor sabe a bibinca com morangos. Este Senhor tem as cores das sedas e a leveza do algodão trabalhado na sua terra. Este Senhor cria “peças” únicas que são autenticas tatuagens. Eu mesma tive tatuada na minha memória, nos últimos 7 anos, uns momentos com uma banda sonora que nunca mais ouvi em lado nenhum a não ser no final de um episódio do “Sex and the City “ (lá está ela, a paixão New York), e na cena da discoteca do intrigante e maravilhoso “Vanilla Sky” com o  Tom-não-tão-interessante-para-mim-Cruise. Recentemente voltei a ouvir aquela música num programa da RTPN sobre arquitectura. Não vos consigo explicar o que é pôr a tv em altos berros para ouvir, não o que o locutor dizia sobre a obra da ponte, mas para ouvir o que estava por baixo… é parecido com aquelas  tentativas de ouvir as palavras que as pessoas não dizem… O homem que me fez ir à FNAC, à Worten, à net, vezes sem conta, ouvir quase tudo o que havia, para ver se por acaso seria aquele…  e nunca era.

Primeiro apresento-vos a música dos 7 anos – como é que poderia esquecer aquela música? Depois vem um remix que ele fez… e este eu já tinha num cd e nem imaginava que era ele! E por último, o virtuosismo daquelas mãos… e a tristeza daqueles olhos em contraste com a simpatia que parece ser. Tem nome como todos nós, mas não é um nome qualquer. Talvin Singh. Talvin: singh your heart out for us, baby! A big dhanaybad* for you.

(Os vídeos não são grande coisa, mas o que interessa é mesmo a música, ok?)

*obrigado em Hindu

xipiti

more than you see.

A rapariga canta bem, tem pinta, definitivamente não é friorenta e o ritmo assenta bem neste tímido início de verão. O primeiro e único álbum de Ive Mendes soa particularmente bem, conseguindo misturar o português com o inglês numa sonoridade agradável, levezinha. Quase ao estilo Smoke City… mas ultrapassa-me o facto de ainda ser bastante desconhecido!

msgd

Índia – capítulo primeiro.

Sempre, e não sei mesmo porquê, tive uma paixão que se chama India (além da outra a que chamo “Arábia” e que inclui a cultura árabe -polémicas políticas e religiosas à parte- e da outra que é Ibiza, e da outra que é Londres, e da outra que é New York… e da outra… e da outra… e da outra…). Gosto de ter as minhas paixões por perto e de partilhá-las com algumas pessoas para que fiquem a conhecê-las e, se calhar, passem também a gostar delas e assim se crie uma comunidade de bom gosto (que modesta, não sou?). Claro que isto não se aplica a TODAS as paixões, mas apenas àquelas que aqui partilho convosco. Por exemplo, a India está em minha casa no incenso Nag Shampa que todos os dia queimo; a “Arábia” anda nos meus pés, mais propriamente dito nas babushas tunisinas, e na rosa do deserto que me trouxeram dessas paragens e que pus em cima da minha mesinha de cabeceira; Londres, bem essa está nas embalagens de chá que ainda espero que me entreguem um dia destes já fora de prazo; New York merece destaque na minha sala com duas fotos enormes a preto e branco, uma delas com as Twin Towers ainda intactas; Ibiza está no meu perfume de Verão e nos meus ouvidos… como veêm as minhas paixões estão sempre por perto e a tocar-me nos mais variados sentidos.

Voltemos à India. Contrastes imensos, povo maravilhoso de alma forte e olhos tristes, natureza esplendorosa, enfim… Uma das maneiras de conhecer uma cultura, além da sua língua (o que demora um bocadito mais) é a sua cultura e dentro desta, a música. Ao viajar na net (coisa que ultimamente ando a fazer muito, até porque é mais barato) encontrei um senhor cujas origens remontam àquelas terras e que se chama Nitin Sawhney… um dj que faz pelo menos uma coisa de que eu gosto: junta-se com coisas boas. Se faz mais coisas boas além desta, não sei… ainda. Ora, retomando o assunto de que duas coisas boas supostamente não se devem misturar porque se estragam as duas, segundo alguns iluminados (por velas, certamente), eu ponho aqui mais umas provas que duas coisas boas podem resultar em coisas, no mínimo, bem boas. Deixo-vos com Nitin sozinho, para o conhecerem a ele primeiro (esta quase todos conhecem mas se calhar nem imaginavam que era dele) e depois com alguns amigos: Nintin + Brian Eno e Nitin +  Reena Bhardwaj.

Um dia destes falarei de outro indiano de olhos tristes e de alma forte que procurei durante exactamente 7 anos sem saber sequer o seu nome… e que finalmente encontrei hoje. A sério. 7 aninhos da minha vida!!! Consegui. Ufa

xipiti

inútil…

Sendo uma das minhas bandas preferidas na minha adolescência, aqui juntam-se mais duas coisas boas (ou três): Depeche Mode + Kruder & Dorfmeister… O melhor da Pop com o melhor da Dance / Chill / Electrónica. Aqui talvez não se consiga fazer justiça ao excelente som que esta mistura de coisas boas conseguiu, mas quem tiver a sorte de ter o cd certamente concordará comigo… Inútil? Não acho mesmo nada.

Well it’s about time

It’s beginning to hurt
Time you made up your mind
Just what is it all worth

All my useless advice
All my hanging around
All your cutting down to size
All my bringing you down

Watch the clock on the wall
Feel the slowing of time
Hear a voice in the hall
Echoing in my mind

All your stupid ideals
You’ve got your head in the clouds
You should see how it feels
With your feet on the ground

Here I stand the accused
With your fist in my face
Feeling tired and bruised
With the bitterest taste

All my useless advice
All my hanging around
All your cutting down to size
All my bringing you down

All your stupid ideals
You’ve got your head in the clouds
You should see how it feels
With your feet on the ground

xipiti

preguiça que espreguiça.

Num breve momento de criação de um light-post de fim de dia a apetecer um lanche à beira mar veio-me à memória um dos espaços mais fantásticos da nossa capital, onde alguns momentos calmos, muuuuito calmos moimême e o sócio silencioso aqui do tasco pudemos usufruir (né, oh xp?). Os Perdigueiros do Rio é um básico conceito de café meio quiosque / muito esplanada onde se tira partido desse enorme Tejo ao sabor de um bom chá de maçã com amoras e canela e devidamente aconchegado numa espreguiçadeira de madeira e lona. Provavelmente a melhor música a colocar seria a nostálgica sôdade, sôdade da Cesária, mas fica esta, na falta do chá…

msgd

conquistar os nossos sonhos de infância.

O tubarãodoluso levantou a ponta do véu aqui e no meu típico espírito de curiosidade parti à descoberta. Tal permitiu encontrar esta história fantástica, a última aula de Randy Pausch – um professor universitário nos EUA que descobre ter cancro no pâncreas e a forma como lida com a doença e ainda envolve a família e todos os que o rodeiam. Esta experiência deu origem a um livro – A última Aula, Ed. Editorial Presença, 2008. A aula foi um mês depois do último diagnóstico, num momento em que sabia que teria apenas uns meses de vida. “Não podemos mudar as cartas que nos dão, apenas como vamos jogá-las. Se não pareço deprimido ou abtido como deveria, lamento por desapontá-los. Estou aliás em excelente forma, em melhor forma que a maioria aqui presente” disse Pausch no início da aula.

Não me vou alongar em comentários. Sempre imaginei a lidar assim com algo semelhante. Fica o convite para observarem com atenção o video. É uma lição de vida, de respeito, de amor, em especial para com a família. É longo, mas vale o tempo que se dispensa.

Tks tubarão ;)

msgd

sincronizzando il pulsare del cuore.

assolutamente fantastico

msgd

um dos melhores centros comerciais do mundo.

É um tema recorrente por estas paragens. Observar a harmonia social, familiar vai sendo cada vez mais raro. Coisas da vida, muitos dirão, falta de real vontade – teimosamente digo eu. É com um brilhozinho nos olhos que momentos proporcionados pela McDonald’s Sports Tour marcam pela diferença, ainda que infelizmente com pouca divulgação. Chegar a um jardim e ver centenas de crianças e respectivos pais – a palavra mais indicada seria adultos – a divertirem-se com jogos de esgrima, basquetebol, ténis e hóquei em campo como qualquer atleta olímpico é um cenário fantástico. Dar acesso à experimentação daquilo que apenas vêm na tv ou numa qualquer playstation. Até por consequência dos tempos económico-sociais que decorrem, continua a fazer-me muita confusão observar a preguiça de pais e responsáveis por crianças e os efeitos da mesma no relacionamento com os ‘putos’. Será de facto preferível passar o tempo livre num qualquer shopping, atormentar o cérebro com barulho e compras impossíveis de fazer (onde inevitavelmente se acaba por gastar dinheiro em bens desnecessários) ou ganhar tempo a conviver e educar os mais novos? Não é por falta de espaços, de iniciativas e mesmo que as não houvesse bastaria puxar um bocadinho pela imaginação. É de louvar esta iniciativa das Câmaras Municipais e sobretudo da McDonald’s – um shopping ao ar livre onde se compram emoções com sorrisos e eventualmente se constrói uma sociedade mais humana e altruísta.

Para quem ainda não experimentou:

15 Junho: COIMBRA / 5 Julho: PORTIMÃO / 6 Julho: ALBUFEIRA / 12 Julho: AVEIRO / 13 Julho: PORTO / 19 Julho: GUIMARÃES / 20 Julho: BRAGA / 26 Julho: SETÚBAL / 27 Julho: BEJA / 2 Agosto: GUARDA / 3 Agosto: COVILHÃ / 9 Agosto: VILA REAL / 10 Agosto: VISEU

msgd

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