





A India não é só caril e “Qué frô?”. Uma das suas manifestações culturais world wide famous são os Mehndis – os misteriosos desenhos na pele – que são a nova tendência da moda no mundo inteiro, conquistando personalidades como Madonna, Demi Moore, Prince e Liv Tyler, entre muitos outros. Eles são feitos com hena, desaparecem depois de algumas semanas e parece que não apresentam nenhum risco à saúde, contrariamente às vulgares tatuagens. Além disso, depois de três semanas, é possível enfeitar-se de novo com outro modelo e a aplicação não dói. Eu fiz duas há uns anos atrás e gostei: uma na mão e outra no tornozelo. Por estar relacionado com o actual culto ao corpo e com a vaidade, e associado à satisfação de ser diferente e especial, não é nenhuma surpresa que o Mehndi tenha alcançado tanta popularidade.
Já que falamos em tatuagens, mistérios e popularidade, passemos ao assunto principal deste post. Quando resolvi falar-vos sobre a Índia, eis que tropecei verdadeiramente nele – o homem que procurava há 7 anos. Este Senhor. Sim, eu disse Senhor e com letra GRANDE. Este Senhor não anda a vender flores, nem tem uma loja num shopping a fazer concorrência aos chineses. Também não é artista de Bollywood. Nada disso. Este Senhor não tem nada a ver com flores, mas faz coisas igualmente bonitas. Não vende quinquilharias, mas sim preciosidades. Não canta e dança com fatiotas brilhantes, mas faz música. E que música, digo eu! Nasceu em 1970 em terras de Sua Majestade (a minha outra paixão… não a Rainha, mas a capital). Mais um do clube das coisas boas que se misturam. É verdadeiramente multifacetado porque tanto manuseia com mestria os pratos de djeing como toca a tabla (instrumento musical indiano) de modo impressionante. Já trabalhou com Madonna, Bjork, Ryuichy Sakamoto, entre outros. Nunca trabalhou comigo, é pena. Este Senhor tem o calor indiano a correr nas veias. Este Senhor tem o caril a temperá-lo. Este Senhor sabe a bibinca com morangos. Este Senhor tem as cores das sedas e a leveza do algodão trabalhado na sua terra. Este Senhor cria “peças” únicas que são autenticas tatuagens. Eu mesma tive tatuada na minha memória, nos últimos 7 anos, uns momentos com uma banda sonora que nunca mais ouvi em lado nenhum a não ser no final de um episódio do “Sex and the City “ (lá está ela, a paixão New York), e na cena da discoteca do intrigante e maravilhoso “Vanilla Sky” com o Tom-não-tão-interessante-para-mim-Cruise. Recentemente voltei a ouvir aquela música num programa da RTPN sobre arquitectura. Não vos consigo explicar o que é pôr a tv em altos berros para ouvir, não o que o locutor dizia sobre a obra da ponte, mas para ouvir o que estava por baixo… é parecido com aquelas tentativas de ouvir as palavras que as pessoas não dizem… O homem que me fez ir à FNAC, à Worten, à net, vezes sem conta, ouvir quase tudo o que havia, para ver se por acaso seria aquele… e nunca era.
Primeiro apresento-vos a música dos 7 anos – como é que poderia esquecer aquela música? Depois vem um remix que ele fez… e este eu já tinha num cd e nem imaginava que era ele! E por último, o virtuosismo daquelas mãos… e a tristeza daqueles olhos em contraste com a simpatia que parece ser. Tem nome como todos nós, mas não é um nome qualquer. Talvin Singh. Talvin: singh your heart out for us, baby! A big dhanaybad* for you.
(Os vídeos não são grande coisa, mas o que interessa é mesmo a música, ok?)
*obrigado em Hindu
xipiti











Super post, Xipitu! Estou a ficar fã