O 3 tinha de ser (ainda mais) especial. Desculpem lá, mas tinha de ser.
Além de tudo o que já falámos, a Índia tem uma cultura que transpira sensualidade por todos os poros. Se assim não fosse, não seria certamente a terra que criou o 2º livro mais famoso do mundo, logo a seguir aos da Margarida Rebelo Pinto: o Kama Sutra.
À semelhança do que se passa com os mendhis, com a música, a roupa, os incensos, até com Bollywood e na generalidade com quase tudo o que vem daquelas paragens, o mundo ocidental tende a ver apenas o que lhe convém e distorce um pouco a intenção original, desvirtuando o sentido mais profundo das coisas provenientes de outras culturas.
O Kama Sutra é uma colectânea de textos indianos muito antigos cuja origem pode remontar ao século II, presumindo-se que o seu autor seja um tal de Mallanaga Vatsyayana. É considerado pela generalidade como o livro básico do amor. Porém, o que mais chama a atenção sobre este livro é apenas (e apenas) uma parte dele: a que se debruça sobre o comportamento sexual humano (whatelse…?).
Mas afinal do que fala o Kama Sutra ? Pois é. Há mais para além disso que toda a gente sabe (ou faz que sabe, ou gostaria de saber, ou sabe na teoria mas não na prática, ou sabe mesmo…). A maioria dos textos contidos no Kama Sutra pertencem a um grupo de textos denominado por Kama Shastra cuja primeira divulgação foi atribuída a Nandi, o touro sagrado que era o porteiro do deus Shiva e o seu mais fiel servo. Este boi, por ser à semelhança dos humanos, naturalmente cusco e ter uma pitada de voyeur, foi promovido a boi falante para poder divulgar, para bem da humanidade, o que via e ouvia o seu patrão Shiva fazer com a sua esposa, uma respeitável deusa chamada Parvati que de parva não tinha nada…
A versão original do Kama Sutra não tem ilustrações e é constituída por 36 capítulos, organizada em 7 partes que a seguir descrevo resumidamente (here comes the fun):
1- Introdução: índice com os conteúdos do livro, os três objectivos e prioridades na vida (Dharma – vida virtuosa; Artha – prosperidade material; e Kama – prazer estético e erótico), a aprendizagem, a conduta das pessoas bem educadas, reflexões sobre os intermediários que assistem o amante nas suas tarefas;
2 – Sobre a união sexual: descreve 64 tipos de actos sexuais em 10 capítulos sobre a estimulação do desejo, tipos de abraços, carícias e beijos, marcas com unhas, mordidelas e marcas com dentes, sobre a cópula (posições), palmadas (“Dói, um tapinha não dói…”), gemidos correspondentes, comportamento viril feminino (?! Mulheres machas?!), coito superior e sexo oral, preliminares e conclusões para os jogos amorosos;
3 – Sobre a aquisição de uma esposa: capítulos sobre as formas de casamento, técnicas de relaxamento para a amante, obtenção da amante, a manutenção e a união pelo casamento.
4 – Sobre a esposa: capítulos sobre a conduta da esposa única, a conduta da esposa-chefe e das outras esposas;
5 – Sobre as esposas de outras pessoas: capítulos sobre o comportamento de homens e mulheres, encontros para aprofundar o conhecimento interpessoal (vulgo actual: dating), examinação de sentimentos, os intervalos, o prazer do rei, o comportamento a ter nas instalações (entenda-se, quartos/casas) das mulheres;
6 – Sobre as cortesãs: capítulos de aconselhamento aos assistentes à escolha dos amantes, procura de um amor estável, maneiras de ganhar dinheiro, renovar amizade com um antigo amante, lucros ocasionais, lucros e perdas;
7 – Sobre os meios para atrair outros para si: capítulos sobre a melhoria das atracções físicas e do poder sexual enfraquecido.
Posto isto, desejo a todos uma boa leitura…
P.S.- Naked, quero ver se pões algum acrescento a este…
Xipiti












fantástico Xipiti!!!!
aí está um livro sempre falado, mas que para além da comum curiosidade, que em algum momento me despertou, nunca me chamou para uma leitura mais atenta…mas esta tua introdução, hummm… será a próxima aquisição