belogue

banalidades circunstanciais.. ou não!

Arquivo para Setembro, 2008

tragam este homem para Portugal.

Joe Arpaio é o xerife do Condado de Maricopa, no Arizona há já bastante tempo e continua sendo re-eleito a cada nova eleição. Ele criou a ‘cadeia-acampamento’, que são várias tendas de lona, cercadas por arame farpado e vigiado por guardas como numa prisão normal. Baixou os custos da refeição para 40 centavos de dólar que os detidos têm inclusivé de pagar. Proibiu fumar, não permite a circulação de revistas pornográficas dentro da prisão e nem permite que os detidos pratiquem halterofilismo. Começou a montar equipas de detidos que, acorrentados uns aos outros (chain gangs), são levados à cidade para prestarem serviços para a comunidade e trabalhar nos projectos do condado. Para não ser processado por discriminação, começou a montar equipas de detidas também, nos mesmos moldes das equipas de detidos. Cortou a TV por cabo aos detidos mas quando soube que TV por cabo nas prisões era uma determinação judicial, voltou a permitir mas só entra o canal do tempo e da Disney. Quando lhe perguntaram por que o canal do tempo, respondeu que era para os detidos saberem que temperatura iriam enfrentar durante o dia quando estivessem a prestar serviço comunitário, trabalhando nas estradas, construções, etc. Em 1994, cortou o café, alegando que, para além do baixo valor nutritivo, estava a proteger os próprios detidos e os guardas que já haviam sido atacados com café quente por outros detidos, sem falar na economia dos cofres públicos de quase US$ 100.000,00/ano. Quando os detidos reclamaram, ele respondeu:

- Isto aqui não é um hotel 5 estrelas e se vocês não gostam, comportem-se como homens e não voltem mais.

Distribuiu uma série de vídeos religiosos aos prisioneiros e não permite qualquer outro tipo de vídeos na prisão. Perguntado se não teria alguns vídeos com o programa do partido democrata para distribuir aos detidos, respondeu que nem que tivesse, pois provavelmente essa era a causa da maioria dos presos ali estarem. Com a temperatura batendo recordes a cada semana, uma agência de notícias publicou:

“Com a temperatura atingindo 116 F, (47º C), em Phoenix no Arizona, mais de 2000 detidos na prisão-acampamento de Maricopa tiveram permissão de tirar o uniforme da prisão e ficar só de shorts (cor-de-rosa), que os detidos recebem do governo.” Na última quarta-feira, centenas de detidos estavam recolhidos nas barracas, onde a temperatura chegou a atingir os 138°F (60°C). Muitos com toalhas cor de rosa enroladas no pescoço estavam completamente encharcados de suor. – ‘Parece que estávamos dentro de um forno’, disse James Zanzot que cumpriu pena nessas tendas por um ano. Joe Arpaio, o xerife durão que inventou a prisão-acampamento, faz com que os detidos usem uniformes cor-de-rosa e não faz questão alguma de parecer simpático. Diz ele aos detidos:

- Os nossos soldados estão no Iraque, onde a temperatura atinge 120°F (50° C), vivem em tendas como vocês e ainda tem de usar fardamento, botas, carregar todo o equipamento de soldado e, além de tudo, não cometeram crime algum como vocês, portanto, calem a boca e parem de reclamar!

Se houvessem mais prisões como esta, talvez o número de criminosos e reincidentes diminuísse consideravelmente. Criminosos graves têm de ser punidos pelos crimes que cometeram e não serem tratados a ‘pão-de-ló’, tendo do bom e do melhor, até serem soltos para voltar a cometer os mesmos crimes e voltar para a vida na prisão, cheia de regalias e reivindicações. Muitos cidadãos honestos, cumpridores da lei e pagadores de impostos não têm, por vezes, as mesmas regalias que esses bandidos têm na prisão.

xipiti

fervoroso catolicismo.

Un adolescent à sa mère, au Shopi d’Ecole Militaire juste avant le passage du pape :
-
Maman j’te jure, si on rate la papamobile, j’te tue.

:D

msgd

um.

Um momento, mais uma conversa levou-nos até aqui. Um ano completo passou entre o primeiro post aqui colocado e o dia de hoje. Um ano completo que por vezes, num daqueles perfeitos rewinds mentais, quase parecem dez anos. Escrevo isto por mim, por aquilo que o facto de poder participar num blog me deu a conhecer, sendo a mais fantástica descoberta eu próprio, mesmo não estando nesta aventura sozinho. Curioso como interiorizamos coisas, sentimentos, situações e deitamos a chave fora para o mundo não ter acesso ás mesmas. Guardamos cá dentro e muitas vezes não temos percepção do que essas mesmas coisas representam e o impacto que poderão ter uma vez discutidas ou experimentadas, quer para nós ou para quem nos rodeia… eu sou assim. Poder extravasar pensamentos e captar outros tantos de estranhos e menos estranhos e, oh meu Deus, descobrir os estranhos à nossa volta – fantástico! O belogue tem sido pródigo nisto mesmo, na capacidade de experimentação e de fazer um pouco de auto-análise, e sempre sai de certeza mais barato que um bom psi. Não sei bem que análise de primeiro aniversário fazer.. ou até sei mas não o vou escrever, mas é garantidamente positiva, principalmente a nível pessoal. :)

Não é o belogue que está de parabéns, mas sim nós que lhe damos vida, que o lemos e acarinhamos…

;)

msgd

o que valem umas tapas.

Um domingo de Verão, aquele calorzinho, um almoço de família com mais elementos que o normal, estômago composto, uma tal de sesta a aproximar-se e no entanto uma vontade de reagir e fazer algo diferente. Uma voz distante ilumina o pensamento, junta-se um pouco de imaginação com a vontade de surpreender e num ápice, supermercado com ele. Sem grandes preparações e numa pura aventura gastronómica que o momento requeria de simples, eis que surgem umas tapas caseiras, inventadas, imaginadas e confeccionadas para umas 12 pessoas.

Ovo, cavala, sardinha, tomate, queijo de cabra, oregãos, tomilho, atum, cogumelos, queijo, salsicha, pickles diversos …. foram alguns dos ingredientes mais à mão que serviram para ‘tapear’ o pão acabado de comprar. Mais do que a degustação correr bem, ficou registado em mim o prazer que senti em montar todo este puzzle para proporcionar um momento realmente diferente e de união familiar, ainda para mais quando alguns dos presentes são presença rara no meu mais restrito seio familiar. Apesar de indescritível, estou em crer que muitos dos que lêem estas palavras entenderão os sorrisos, os mimos, o carinho que senti e observei e que gostaria de aqui partilhar. É mais uma vez a questão dos pequenos gestos, das pequenas coisas, tão simples e que no entanto não têm medição possível tal a grandeza do retorno, em sentimentos e momentos.

Já por mais do que uma vez aqui deixei opiniões sobre o tema família e a importância que cada vez mais vai tendo para mim, acima de tudo pela descoberta e pelo caminho que tenho trilhado. É óbvio que tenho a sorte de ter uma família directa receptiva a percorrer este caminho, mas também não deixa de ser verdade que é necessário que parta de mim a vontade de alimentar esse percurso e até por vezes ajudar a percorrer.

msgd

cpuc.

A Miss Xipiti enviou um email para ler, pensar e agir. ;)

“A Escola de Cães-Guia de Mortágua é a única no país que treina cães para cegos, não tem fins lucrativos e vive do apoio da Segurança Social e de donativos. Conheço o seu trabalho há uns anos e posso comprovar que trabalham com uma dedicação enorme, que poucas vezes se encontra neste país, mas lutam com dificuldades diárias: falta de verbas, falta de cachorros adequados e, principalmente, falta de voluntários para acolherem os cães/cachorros durante o treino. Estes cães têm que estar em famílias desde os 2/3 meses até serem entregues aos cegos, para aprenderem a viver em casa, apreender as rotinas.este trabalho não pode ser feito em canil. Neste momento uma escola de cães-guia francesa ofereceu-lhes 7 cachorros e ainda não arranjaram famílias para 5. Por causa das distâncias versus preço dos combustíveis, só lhes é viável ter famílias no eixo Viseu, Coimbra, Figueira de Foz, Aveiro.

Peço-lhe que divulgue o projecto junto dos amigos e conhecidos. Não envolve dinheiro, todos os custos, da ração à veterinária, é por conta da Escola, apenas o nosso tempo. Tem ainda a vantagem de o levarem para a Escola sempre que nós quisermos – fins de semana fora, doença, cansaço, etc. levam e voltam a trazer.

Neste momento, um cego em Portugal está 2 a 3 anos à espera dum cão.

Mais informações aqui e aqui.

Eva”

msgd

il manque là un petit morceau.

…gosto particularmente do aviso: “Pas de utilisation prolonguée sans avis conjugal:D

msgd

the stranger sang a theme from someone else’s dream.

Velhinho, velhinho este Life in Mono dos… Mono. :P 1998 já lá vai há muito tempo e ainda hoje a pseudo-inocente voz da Siobhan de Maré me remete para uns nostálgicos filmes franceses da década de 60/70 onde sensualidade e erotismo andavam de mãos dadas, sempre com a banda sonora de Gainsbourg lá ao fundo. Neste campo, este Life in Mono casou na perfeição com o filme Great Expectations – uma soberba adaptação da obra de Charles Dickens: excelente realização + bso + actores. Até a Gwyneth esteve bem, e eu nem lhe acho piada nenhuma… Algures li sobre este filme que “…this movie is a masterpiece. Beautiful on the eyes, ears, heart, and mind.” Yep, that’s ’bout it.

O Formica Blues, único album sob o nome Mono, mantém a toada do principio ao fim, sem espantar mas com uma consistência rara… ainda hoje. Anos mais tarde, uns tais Violet Indiana trouxeram de novo esta voz e, curiosamente com os dedinhos de um tal Robin Guthrie – ahpoisé, Mr. Cocteau Twins himself. :)

msgd

il faut.

Um tal de Victor Hugo um dia escreveu:

…já fizeram isto, hoje?

msgd

lembrar para não esquecer.

“Alzira Alves tem 54 anos, olhos azuis cansados, o coração inteiro entregue a um homem de 78, que só se lembra dela de vez em quando. E uma força que vai buscar não sabe onde. Nunca casaram pela Igreja, não disseram, num altar, que ficariam juntos “na saúde e na doença”. Alzira já esteve entreveda três vezes; toninho tem Alzheimer há dez anos. É uma história de amor séria. Dura há quase quatro décadas. “Ele deixou de conduzir, de jogar cartas. Eram as coisas que mais gostava de fazer. Estranhei. Um dia, perdeu-se na cidade. Consultámos um médico. Quando pronunciou o nome da doença, não aceitei. Chorei, gritei. Não queria acreditar”, recorda.

A doença de Alzheimer, cujo dia mundial é assinalado hoje, afecta mais de 70 mil pessoas em Portugal – 800 mil novos casos são diagnosticados na Europa todos os anos -, mas em nenhuma parte do mundo existe um manual que ensine a digerir a notícia de que um familiar está progressivamente a perder a memória. Em Portugal, não existe sequer apoio para os doentes ou para quem cuida deles. A medicação, que pode atingir os 300 euros por mês, não é comparticipada.

“O conselho que nos dão é, quase sempre, para colocarmos o doente num asilo”. Mas asilo não era lugar onde Alzira estivesse na disposição de depositar o seu companheiro, já la vão tantos anos. Sobretudo quando, finalmente, começara a partilhar casa com ele, depois de tantos anos de distância. “Cheguei a pensar matá-lo primeiro e matar-me a seguir. Deixá-lo num sítio onde ele não pudesse defender-se ou queixar-se nunca foi hipótese”. Jurou cuidar dele “atá à última gota de sangue”.

Alzira é mulher de rara coragem, coração desmedido. Mas de que poderiam servir as suas boas intenções quando, ela própria, reformada por invalidez, tem carteira pequena, saúde frágil, “dentes estragados à força de tanta morfina”, as pernas já paralisadas por três vezes sem que ninguém descubra a causa? “Foi o amor que nos salvou”, garante, olhos de fé. “Deus sabia que eu precisava de saúde para cuidar dele”.

A sociedade ainda está cheia de tabus: “os familiares escondem os doentes, negam a doença. É importante acabar com isso. Hoje são eles; amanhã seremos nós. Não podemos deixar que se apaguem; e isso é uma luta diária”, alega Alzira.

Texto de HELENA TEIXEIRA DA SILVA – in JN 20-09-2008″

A Doença de Alzheimer sempre foi um tema que mexeu comigo, não só pela directa convivência com um familiar (e que na época não foi de imediato diagnosticado como sendo Alzheimer) como pelo extrapolar imaginário do que será apagar a nossa memória: os sentidos que desvanecem, os momentos bons e maus que nos fizeram rir, chorar, crescer e que aos poucos desaparecem. Imaginar que não vou recordar um cheiro em particular, reconhecer um olhar ou uma voz doce e ao mesmo tempo não ser capaz de retribuir com a vontade ou sentimento de outrora, e isto é tão ou mais díficil também para quem cuida de uma pessoa com a Doença de Alzheimer. Muito recentemente tive a oportunidade de aprender algo tão óbvio como importante no cuidado e acompanhamento a ter com uma pessoa com a Doença de Alzheimer: não contrariar. É com amor, carinho, ternura e também paciência que se poderá atenuar de parte a parte os efeitos de uma doença que ainda não tem cura, que inevitavelmente troca as voltas ás vidas dos envolvidos, sejam cuidadores ou doentes. É afinal com coisas simples e ao alcance de todos, que poderíamos e deveríamos concretizar todos os dias, pessoal, social ou profissionalmente. Por vezes parece que quem não sofre da Doença de Alzheimer é que se esquece de certas coisas…

Um pouco por todo o país haverá hoje diversas manifestações de consciência e carinho… vejam aqui.

msgd

filha de uma tal M8.

Hoje apetece-me viver um pouquinho de uma deliciosa irracionalidade…ai ai…

msgd

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